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25 de julho de 20267 min

O que causa o ronco? Anatomia, fatores de risco e quando preocupa

Entenda o que causa o ronco: anatomia das vias aéreas, fatores de risco, diferença entre ronco e apneia e quando buscar especialista no Rio de Janeiro.

Conteúdo escrito e revisado por Dr. Guilherme Lima, cirurgião bucomaxilofacial (CRO-RJ 38327), membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Sono. As informações deste artigo são educativas e não substituem avaliação individualizada.

Cerca de 46% das pessoas entre 30 e 70 anos roncam com alguma regularidade — mas poucos sabem exatamente por que isso acontece (Punjabi NM, PRSM, 2008). Entender a causa do ronco é o primeiro passo para escolher o tratamento certo e evitar que um problema simples evolua para algo mais sério.

O que é o ronco e como ele acontece?

O ronco é o som produzido pela vibração dos tecidos moles das vias aéreas superiores — principalmente o palato mole, a úvula e a base da língua — quando o fluxo de ar encontra resistência durante o sono.

Durante a noite, os músculos da garganta relaxam. Em pessoas com vias aéreas mais estreitas ou tecidos mais flácidos, esse relaxamento causa colapso parcial da passagem do ar, gerando turbulência e vibração.

Anatomia: o que está por trás do ronco

O caminho do ar: Nariz → Nasofaringe → Orofaringe → Laringofaringe → Traqueia. O ronco acontece quase sempre na orofaringe.

  • Mandíbula recuada (retrognatismo): empurra a base da língua para trás
  • Palato mole longo ou úvula aumentada
  • Amígdalas e adenoides aumentadas (principalmente em crianças)
  • Língua grande (macroglossia)
  • Maxila estreita

Principais causas e fatores de risco

Sobrepeso e obesidade

Perda de 10% do peso pode reduzir o índice de apneias em até 26% (Peppard PE, JAMA, 2000).

Álcool e sedativos

Relaxam a musculatura faríngea além do normal, agravando o colapso das vias aéreas.

Posição ao dormir

Dormir de costas favorece o recuo da língua e da mandíbula — o ronco posicional pode melhorar apenas com mudança de posição.

Obstrução nasal crônica

Rinite, desvio de septo e pólipos agravam, mas raramente eliminam o ronco de origem orofaríngea.

Alterações hormonais (ronco feminino)

Após a menopausa, a prevalência de apneia é 3 vezes maior (Young T et al., Sleep, 2003).

Envelhecimento

Com a idade, o tônus muscular da faringe diminui naturalmente.

Causas estruturais

Mandíbula recuada, palato alto ou base de língua reduzida — soluções comportamentais têm efeito limitado.

"Eu não roncava e comecei a roncar — o que pode ser?"

  1. Ganho de peso recente
  2. Início de sedativos, ansiolíticos ou relaxantes musculares
  3. Aumento do consumo de álcool à noite
  4. Menopausa
  5. Infecção respiratória com edema faríngeo
  6. Hipotireoidismo
  7. Progressão natural com a idade

Diferença entre ronco simples e apneia do sono

Na apneia há pausas respiratórias, queda de saturação, sono fragmentado, cansaço diurno e risco cardíaco aumentado. A apneia não tratada eleva o risco de hipertensão, infarto, AVC, diabetes tipo 2 e Alzheimer. O diagnóstico diferencial é feito pela polissonografia.

Quando o ronco precisa de avaliação urgente?

  • Pausas na respiração observadas pelo parceiro
  • Acordar sufocado
  • Sonolência excessiva durante o dia
  • Dores de cabeça matinais
  • Pressão arterial alta de difícil controle
  • Ronco progressivamente pior

Perguntas frequentes

Ronco é hereditário? Existe componente genético — a anatomia facial é em grande parte herdada.

Dormir de boca aberta causa ronco? É consequência, não causa principal. O ronco acontece na faringe.

Crianças que roncam precisam de avaliação? Sim, especialmente com respiração bucal ou amígdalas aumentadas.

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