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15 de outubro de 20269 minRevisado em 15 de outubro de 2026

Operou o septo e continua com o nariz entupido? O papel da maxila na respiração e na apneia

Maxila estreita e palato ogival podem estar associados à obstrução nasal persistente. Veja o que dizem os estudos de Stanford sobre maxila, via aérea e avanço maxilomandibular.

Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Lima — CRO-RJ 38327. Cirurgião bucomaxilofacial, membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Sono. As informações deste artigo são educativas e não substituem avaliação individualizada.

Nem toda obstrução nasal é causada apenas pelo septo ou pelos cornetos. Alguns pacientes passam por septoplastia ou redução de cornetos e continuam com dificuldade para respirar pelo nariz. Em parte desses casos, a explicação pode estar no esqueleto da face: uma maxila estreita e um palato alto podem limitar o espaço da cavidade nasal.

Dois estudos da Universidade de Stanford ajudam a entender essa relação entre estrutura óssea, nariz e via aérea durante o sono. A seguir, explicamos o que cada um mostra — e o que ainda não mostra.

O palato também é o assoalho do nariz

O palato duro (céu da boca) separa a boca da cavidade nasal. Por isso, a forma da maxila influencia diretamente a largura do assoalho nasal. Quando a maxila é estreita no sentido transversal e o palato é alto (palato ogival), a parte anterior da cavidade nasal tende a ser mais estreita.

Cirurgias nasais convencionais, como septoplastia e turbinoplastia, tratam principalmente cartilagem, mucosa e tecidos moles. Elas não alteram a largura óssea da maxila.

Estudo 1 — Williams et al. (2019): maxila estreita e obstrução nasal persistente

Pesquisadores analisaram tomografias de pacientes operados por obstrução nasal (septoplastia, cornetos, cirurgia endoscópica dos seios da face e/ou válvula nasal). Compararam quem melhorou com quem continuou obstruído, segundo questionários validados como NOSE e SNOT-22.

Os pacientes com obstrução persistente apresentaram, com diferença estatisticamente significativa:

  • maxila mais estreita;
  • palato mais alto (abóbada palatina elevada);
  • ângulo maxilar anterior mais agudo, próximo à abertura óssea do nariz.

Os autores sugerem que esses pacientes podem se beneficiar de procedimentos de remodelação esquelética, como a expansão maxilar.

Limites do estudo

O estudo é retrospectivo e observacional. Ele mostra associação, não causa. Não testou se a expansão resolve a obstrução nesses pacientes, teve poucos casos de cirurgia de válvula nasal e foi feito em centro terciário, onde chegam casos mais complexos. Ou seja: a maxila estreita é um fator a investigar, não uma explicação automática.

Estudo 2 — Liu et al. (2016): avanço maxilomandibular, sonoendoscopia e fluxo de ar

Este estudo avaliou 20 pacientes com apneia obstrutiva do sono submetidos ao avanço maxilomandibular, cirurgia que movimenta maxila e mandíbula para a frente. Foram usadas a sonoendoscopia (DISE), que observa o colapso da faringe durante sono induzido, e a modelagem computacional do fluxo de ar (CFD).

O índice de apneia-hipopneia (IAH) médio caiu de aproximadamente 53,6 para 9,5 eventos por hora, acompanhado de mudanças na dinâmica do fluxo de ar e de maior estabilidade da parede da faringe.

Na prática, o estudo ajuda a entender que a cirurgia não apenas "aumenta o espaço": ela altera a forma como o ar passa e reduz a tendência da parede da faringe colapsar. Trata-se de uma série pequena de pacientes; resultados individuais variam.

Nariz, maxila e apneia: como os dois estudos se conectam

O nariz é uma parte importante da resistência da via aérea superior. Quando a respiração nasal é difícil, a pessoa tende a respirar pela boca, e a faringe pode ficar mais sujeita ao colapso durante o sono. Por isso, a avaliação da via aérea deve considerar o conjunto:

  • nariz e assoalho nasal — septo, cornetos, válvulas e largura óssea da maxila;
  • faringe — onde e como ocorre o colapso durante o sono;
  • esqueleto facial — posição e dimensões da maxila e da mandíbula.

Como é feita a avaliação

  • Exame clínico e otorrinolaringológico, para investigar rinite, septo, cornetos e válvula nasal.
  • Tomografia para avaliar largura da maxila, palato e via aérea.
  • Polissonografia, que mede IAH, oxigenação e outros parâmetros. Veja como interpretar IAH, IDO, T90 e carga hipóxica.
  • Sonoendoscopia (DISE), em casos selecionados, para identificar os locais de colapso.
  • Questionários como NOSE (obstrução nasal) e Epworth (sonolência), úteis para comparar antes e depois.

Opções de tratamento conforme o perfil

A escolha depende do diagnóstico, da gravidade da apneia, da anatomia e da preferência do paciente. Em linhas gerais:

  • Predomínio de deficiência transversal da maxila com queixa nasal persistente: pode ser discutida a expansão maxilar esquelética.
  • Apneia moderada a grave com colapso da faringe e indicação cirúrgica: o avanço maxilomandibular pode ser considerado.
  • Perfis combinados: maxila estreita e retroposicionamento facial podem exigir planejamento em etapas.

CPAP e aparelho intraoral continuam sendo opções importantes. Compare em tratamentos para apneia do sono.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação se você já operou o nariz e continua com obstrução, respira pela boca, ronca, acorda cansado ou tem diagnóstico de apneia. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta.

Referências

  1. Williams R, Patel V, Chen YF, Tangbumrungtham N, Thamboo A, Most SP, Nayak JV, Liu SYC. The Upper Airway Nasal Complex: Structural Contribution to Persistent Nasal Obstruction. Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2019. doi:10.1177/0194599819838262.
  2. Liu SYC, Huon LK, Iwasaki T, et al. Efficacy of Maxillomandibular Advancement Examined with Drug-Induced Sleep Endoscopy and Computational Fluid Dynamics Airflow Modeling. Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2016;154(1):189-195.

Perguntas frequentes

Há várias causas possíveis: inflamação ou rinite, colapso da válvula nasal, correção incompleta dos tecidos moles e, em parte dos pacientes, características do esqueleto da face, como maxila estreita e palato ogival. A investigação deve ser individual, com avaliação otorrinolaringológica e de imagem.

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