Diagnóstico

Como saber se tenho apneia do sono? Diagnóstico e exames

Resposta direta

O diagnóstico da apneia obstrutiva do sono (AOS) combina duas etapas: uma avaliação clínica — sintomas, ronco relatado, sonolência, vias aéreas, nariz, posição dos maxilares, língua e ATM — e um exame do sono que quantifique os eventos respiratórios. A polissonografia é o exame de referência; a poligrafia domiciliar validada é uma alternativa em casos selecionados. A gravidade é descrita pelo índice de apneia e hipopneia (IAH), interpretado junto com a oxigenação e os sintomas.

A indicação depende da avaliação individual e, quando necessário, do exame do sono.

Quais são os sinais de alerta?

Os sinais mais úteis vêm de duas fontes: o que o paciente percebe e o que o parceiro de cama observa durante a noite.

  • Ronco alto e habitual, com variação de intensidade.
  • Pausas respiratórias, engasgos ou sensação de sufocamento no sono.
  • Sono agitado, muitas mudanças de posição e despertares.
  • Sonolência diurna, cansaço ao acordar e dificuldade de concentração.
  • Dor de cabeça matinal, boca seca e necessidade de urinar à noite.
  • Hipertensão de difícil controle, arritmias e alterações metabólicas.

Se você reconhece esses sinais, o teste de autoavaliação de sonolência e ronco organiza suas respostas antes da consulta. Ele é educativo e não substitui exame nem diagnóstico.

O que a avaliação clínica examina?

A consulta investiga fatores que explicam por que a via aérea colapsa no seu caso — informação que o exame do sono, isoladamente, não fornece.

  • Nariz: desvio de septo, hipertrofia de conchas, rinite e obstrução ao fluxo aéreo.
  • Faringe: palato mole e úvula, volume das amígdalas, posição da língua e espaço orofaríngeo.
  • Maxilares: posição de maxila e mandíbula, retrusão mandibular, largura da maxila e padrão facial.
  • Dentes, gengivas e ATM: número e suporte dos dentes, saúde periodontal, mordida e articulação — critérios que definem se um aparelho intraoral pode ser considerado.
  • Fatores gerais: peso, circunferência cervical, uso de álcool e sedativos, horários de sono e condições associadas.
Análise tridimensional do volume das vias aéreas em imagens craniofaciais
Análise tridimensional das vias aéreas: o exame permite observar o volume e as áreas de estreitamento ao longo da faringe. A interpretação depende do conjunto de achados clínicos e dos exames do sono.
Ilustração anatômica e cortes tomográficos usados na avaliação da obstrução nasal
Obstrução nasal: a avaliação combina o exame anatômico com imagens para investigar possíveis limitações à passagem do ar pelo nariz.
Ilustração dos diferentes graus observados durante a avaliação da passagem de ar pelo nariz
Avaliação da passagem nasal: a inspeção ajuda a descrever o grau de redução do espaço respiratório e deve ser interpretada junto aos sintomas do paciente.
Ilustração anatômica da região retropalatal e de possível estreitamento atrás do palato
Região retropalatal: o palato mole e os tecidos próximos podem participar do estreitamento da via aérea durante o sono.
Fotografia clínica da cavidade oral usada na avaliação da orofaringe
Avaliação da orofaringe: língua, palato, úvula e amígdalas são observados como parte do exame clínico das vias aéreas.
Ilustração anatômica da região retrolingual e de fatores que podem reduzir o espaço atrás da língua
Região retrolingual: a posição da mandíbula e o volume da língua podem influenciar o espaço respiratório atrás da língua.

Quando há hipótese de causa estrutural, exames de imagem — como tomografia com análise das vias aéreas — ajudam a localizar o estreitamento e a planejar o tratamento.

Quais exames do sono existem?

Polissonografia laboratorial

Realizada em laboratório do sono, com registro simultâneo de atividade cerebral, movimentos oculares, tônus muscular, fluxo aéreo, esforço respiratório, oxigenação, ronco, eletrocardiograma e posição corporal. Permite descrever estágios do sono, microdespertares e a relação dos eventos com a posição e o sono REM.

Paciente dormindo com sensores de polissonografia na cabeça, face, tórax e dedo, conectados ao aparelho de registro
Montagem de uma polissonografia: sensores registram atividade cerebral, movimentos oculares, fluxo aéreo, esforço respiratório, oxigenação, ronco e posição corporal durante toda a noite.

Poligrafia respiratória domiciliar

Registra respiração, oxigenação, ronco e posição na própria casa do paciente. É indicada em adultos com suspeita clínica de apneia obstrutiva moderada a grave, sem doenças cardiopulmonares ou neurológicas relevantes. Como não mede o sono diretamente, um exame domiciliar normal em paciente com alta suspeita geralmente exige polissonografia.

Exames complementares

Nasofibroscopia, endoscopia do sono induzido por medicamento e imagens tridimensionais podem ser usadas para identificar o local do colapso quando isso muda a decisão terapêutica.

Exame de nasofibroscopia com endoscópio flexível e imagem ampliada das estruturas nasais em monitor
Nasofibroscopia: o exame usa um endoscópio flexível e fino para observar o nariz, faringe, palato mole e base da língua, identificando onde a via aérea pode se estreitar.
Modelo anatômico em corte sagital mostrando o trajeto do endoscópio flexível pelo nariz e faringe durante a avaliação das vias aéreas
Endoscopia do sono (sonoendoscopia): examina o comportamento da via aérea durante o sono ou sedação leve, ajudando a localizar o colapso em regiões como nariz, palato e língua.

Detalhes de preparo e etapas em como funciona a polissonografia.

Como a gravidade é classificada?

A classificação usual da apneia obstrutiva em adultos considera o IAH: quadros leves entre 5 e 15 eventos por hora, moderados entre 15 e 30 e graves acima de 30. Essa divisão organiza a discussão clínica, mas não define sozinha a conduta: dois pacientes com o mesmo IAH podem ter oxigenação, sintomas, anatomia e riscos bem diferentes.

Gráfico de sobrevida por quintis de carga hipóxica mostrando menor sobrevida no grupo com maior carga hipóxica
Estudo publicado no European Heart Journal (Azarbarzin et al.) associou maior carga hipóxica — quanto e por quanto tempo a oxigenação cai — a maior mortalidade cardiovascular, independentemente do IAH. Por isso o laudo é lido por inteiro, e não apenas pelo número de eventos.

O significado de cada número do laudo está explicado em como entender o resultado da polissonografia.

E depois do diagnóstico?

Com o laudo em mãos, a conversa passa a ser sobre opções: medidas comportamentais e nasais, aparelho intraoral de avanço mandibular, CPAP ou tratamento cirúrgico — incluindo o avanço maxilomandibular quando há deficiência esquelética. A indicação depende da gravidade, da anatomia, da saúde bucal, das preferências e da adesão esperada.

Compare as alternativas no guia de decisão de tratamento.

Perguntas frequentes sobre o diagnóstico

A suspeita começa por sinais relatados por quem dorme ao lado — ronco alto, pausas respiratórias, engasgos — somados a sintomas próprios como sono não reparador, sonolência diurna, dor de cabeça matinal, despertares para urinar e dificuldade de concentração. A confirmação, porém, depende de um exame do sono que quantifique os eventos respiratórios, porque nenhum sintoma isolado estabelece o diagnóstico.

Quer saber qual tratamento pode ser indicado no seu caso?

A definição do tratamento depende do exame do sono, da anatomia das vias aéreas e da sua adaptação. A avaliação esclarece as opções possíveis para o seu caso.

Não sabe por onde começar? Veja o guia de decisão de tratamento.

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Referências científicas

  1. Kapur VK et al. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea. J Clin Sleep Med, 2017 (AASM).
  2. Berry RB et al. AASM Manual for the Scoring of Sleep and Associated Events — regras de pontuação de eventos respiratórios.
  3. Chung F et al. STOP-Bang Questionnaire: a practical approach to screen for obstructive sleep apnea. Chest, 2016.
  4. Azarbarzin A et al. The hypoxic burden of sleep apnoea predicts cardiovascular disease-related mortality. Eur Heart J, 2019.
  5. Peppard PE et al. Increased prevalence of sleep-disordered breathing in adults. Am J Epidemiol, 2013.

As informações desta página têm caráter educativo e não substituem a interpretação individual de exames nem a avaliação profissional.