Entendendo o laudo

Como entender o resultado da polissonografia

Resposta direta

No laudo da polissonografia, o número mais citado é o IAH — a média de apneias e hipopneias por hora de sono, usada para classificar a apneia obstrutiva em leve (5 a 15), moderada (15 a 30) ou grave (acima de 30). Mas o IAH não conta a história completa: a oxigenação mínima, o T90, o índice de microdespertares, a proporção de eventos em decúbito dorsal e no sono REM e a eficiência do sono mudam a interpretação. É a leitura conjunta desses dados com o exame das vias aéreas e dos maxilares que orienta a discussão de tratamento.

A indicação depende da avaliação individual e, quando necessário, do exame do sono.

Glossário do laudo, termo por termo

IAH (índice de apneia e hipopneia)
Número médio de apneias e hipopneias por hora de sono. É a principal medida de gravidade em adultos: 5 a 15 é considerado leve, 15 a 30 moderado e acima de 30 grave.
Apneia
Interrupção do fluxo aéreo por dez segundos ou mais. Quando há esforço do tórax e do abdome, o evento é obstrutivo — típico do colapso da via aérea superior.
Hipopneia
Redução parcial do fluxo aéreo acompanhada de queda de oxigenação ou microdespertar. Conta junto com as apneias no IAH.
Evento central
Pausa respiratória sem esforço do tórax e do abdome. Tem mecanismo e conduta diferentes dos eventos obstrutivos.
RERA e IDR
Despertar relacionado a esforço respiratório e índice de distúrbio respiratório. Somam eventos que fragmentam o sono sem preencher critério de apneia ou hipopneia.
IDO (índice de dessaturação de oxigênio)
Quantas vezes por hora a oxigenação caiu além do limite adotado no laudo, em geral 3% ou 4%.
SpO₂ mínima e SpO₂ média
Menor valor e valor médio da saturação de oxigênio durante a noite. Quedas acentuadas são relevantes na avaliação de repercussão cardiovascular.
T90
Tempo total, geralmente em minutos ou porcentagem da noite, com saturação abaixo de 90%. Descreve a carga de hipoxemia.
Índice de microdespertares
Número de despertares breves por hora de sono. Explica por que o sono não é reparador mesmo com muitas horas na cama.
Eficiência do sono e latências
Proporção do tempo na cama efetivamente dormido e o tempo até adormecer e até entrar em sono REM. Ajudam a interpretar o exame como um todo.
Eventos em decúbito dorsal
Quando os eventos se concentram com o paciente de barriga para cima, o laudo pode descrever apneia posicional — informação que influencia a estratégia de tratamento.
Eventos no sono REM
No REM o tônus muscular é menor, e os eventos podem ser mais longos e com dessaturação maior. A predominância em REM é registrada porque muda a leitura clínica.

Faixas de gravidade em adultos

IAH (eventos por hora)Classificação usualO que costuma entrar na conversa
Menor que 5Sem critério de apneia obstrutivaRonco pode persistir; investigar outras causas dos sintomas
5 a 15LeveMedidas comportamentais, tratamento nasal, aparelho intraoral
15 a 30ModeradaAparelho intraoral ou CPAP; cirurgia quando há causa estrutural
Acima de 30GraveCPAP com papel central; cirurgia avaliada em casos selecionados

As faixas orientam a discussão clínica e não constituem indicação de tratamento para um caso específico.

Por que dois exames com o mesmo IAH pedem condutas diferentes

Imagine dois pacientes com IAH de 20 eventos por hora. No primeiro, os eventos se concentram em decúbito dorsal, a saturação mínima é de 89%, o T90 é próximo de zero e não há sonolência relevante. No segundo, os eventos predominam no sono REM, a saturação mínima chega a 78%, o T90 ocupa parte significativa da noite e existe hipertensão de difícil controle. O número é o mesmo; a leitura de risco e o caminho terapêutico não são.

Por isso a consulta examina também nariz, faringe, língua, posição dos maxilares, dentes, gengivas e ATM. É essa combinação — laudo e anatomia — que indica se o aparelho intraoral, o CPAP ou uma abordagem cirúrgica fazem sentido no seu caso.

Para ver os cenários lado a lado, use o guia de decisão de tratamento.

O que levar para a consulta

  • Laudo completo do exame do sono, com os gráficos e as tabelas.
  • Exames anteriores do sono, se houver, para comparação.
  • Lista de medicamentos em uso e condições de saúde associadas.
  • Aparelho intraoral ou dados do CPAP, quando já em uso.
  • Relato do parceiro de cama sobre ronco, pausas e agitação.
  • Exames de imagem odontológicos ou tomografias recentes.

Pode ajudar responder antes o teste de autoavaliação e levar o resultado impresso ou no celular.

Perguntas frequentes sobre o resultado

Um IAH de 12 eventos por hora está na faixa descrita como apneia obstrutiva leve em adultos. A conduta, porém, não é definida por esse número isolado: sonolência, oxigenação mínima, T90, fragmentação do sono, pressão arterial, anatomia da via aérea e a posição em que os eventos ocorrem também entram na avaliação. Há pacientes com IAH leve e sintomas importantes, e o inverso também ocorre.

Quer saber qual tratamento pode ser indicado no seu caso?

A definição do tratamento depende do exame do sono, da anatomia das vias aéreas e da sua adaptação. A avaliação esclarece as opções possíveis para o seu caso.

Não sabe por onde começar? Veja o guia de decisão de tratamento.

Continue aprendendo

Referências científicas

  1. Berry RB et al. AASM Manual for the Scoring of Sleep and Associated Events — definições de apneia, hipopneia, RERA e microdespertar.
  2. Kapur VK et al. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea. J Clin Sleep Med, 2017.
  3. Ramar K et al. Clinical Practice Guideline for the Treatment of OSA and Snoring with Oral Appliance Therapy. J Clin Sleep Med, 2015.

As informações desta página têm caráter educativo e não substituem a interpretação individual de exames nem a avaliação profissional.